[trinta e seis]

by cidadão josé

Era uma vez um narrador que narrava sentado em mesas de cafés e estabelecimentos similares (mesas isto é, cadeiras junto a mesas, dizemos mesas mas referimo-nos sempre a um conjunto de pelo menos uma mesa e uma cadeira, como uma família monoparental, porque, de facto, nas mesas não se senta ninguém, quer dizer, nos cafés e restaurantes e isso, porque em casa de cada um, cada um é que sabe onde se senta e se uma pessoa quiser sentar-se nas mesas senta-se e ninguém tem nada a ver com isso, o próprio narrador, aqui há muitos anos, tinha o hábito de se sentar na mesa quando expunha a matéria aos seus alunos quando tinha alunos, quer dizer, sentava-se naquela mesinha que era a secretária do professor e que costumava estar assim quase ao lado esquerdo da sala para quem estava virado para o quadro quando havia quadro, que agora nem sabe bem como é, parece que aquilo é tudo computadores. Pois então, dizia o narrador, nessas ocasiões costumava sentar-se, mais um apoiar-se, na secretária para falar com os alunos, e eles à frente sentados em cadeiras. Era assim.) quase sempre a beber café, mas isso não constitui regra, depende. Gostava de se sentar em lugares, digamos estratégicos, junto a janelas ou portas, para poder observar a rua e o estabelecimento ao mesmo tempo, ver quem passa lá fora e o que se passa cá dentro, mas isso também não constitui regra, às vezes só quer escrever e nem repara…

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